Uzbequistão: o melhor da Rota da Seda

Nossa “overland trip” começou com calor total, com temperaturas acima de 40 graus diariamente. Mesmo assim, estávamos animadíssimos para chegar ao que é o ápice da viagem: as cidades do Uzbequistão e o melhor da rota da seda.

Estamos em uma viagem conhecida como Overland Trip, viajando com um grupo a bordo de um caminhão pela Ásia Central. Nossa viagem começou na capital do Turcomenistão, em Asgabate, e agora chegamos a nosso segundo destino, o Uzbequistão.

A fronteira foi relativamente tranquila, mas seguir a viagem país adentro com as temperaturas atingindo 45 graus, foi realmente desafiador. Não víamos a hora de parar e montar o acampamento. Muitas pessoas visitam o país em busca das famosas cidades da rota da seda, mas antes, teríamos outras coisas para ver, lugares que nunca imaginamos visitar.

O Uzbequistão é mesmo surprendente: Samarkand

Um dos piores desastres ambientais da história

Imagine o quarto maior lago de água salgada do mundo, um lindo lugar, milhares de peixes, barcos, pessoas e uma brisa agradável. Agora imagine no que o ser humano pode transformar isso em apenas algumas décadas.⁠

O Mar de Aral é um lugar isolado no Uzbequistão, e o que uma vez já foi um lindo cenário, hoje se transformou em um gigante cemitério de navios jogados no meio do deserto. ⁠

Em 1918 o governo soviético, no qual o Uzbequistão pertencia na época, começou a usar a água do Aral para a irrigação das plantações de algodão, principalmente dos afluentes que alimentavam o tal mar. Com o crescimento da produção, se acelerou o uso da água, que ano após ano foi deixando de chegar ao mar de Aral.

Nos anos 60 o mar começou a perder tamanho, mas os soviéticos ignoraram o fato e aumentaram ainda mais o uso da água. Com a água baixando a cada dia o mar se tornou cada vez mais alcalino e foi questão de anos para matar toda a fauna e flora da região. Junto com os animais também faliu a indústria pesqueira e todos que de alguma forma dependiam do lago para viver.

Um completo desastre. Há quem diga que este é a maior catástrofe ambiental da história, mas há soviéticos que disseram ser culpa da rápida evaporação do mar⁠. O mais doido de tudo isso é você se deparar com barcos no meio de bancos de areia, completamente abandonados.

O que sobrou do mar de Aral no Uzbequistão

O melhor da rota da seda

Ainda tivemos mais dois dias de estrada e dois dias acampando até chegarmos a Khiva. E são lugares como Khiva que alimentam a nossa vontade de ver ainda mais do mundo. Os últimos dias foram puxados, não vamos negar. Havia muito tempo, talvez desde quando cruzamos a Índia de carro, que não éramos expostos a tantos desafios.

Khiva é cercada por uma muralha e a parte antiga da cidade parece ter parado na época do ápice da rota da seda. ⁠A primeira coisa que nos chamou a atenção foi o silêncio no local. A segunda foi que só éramos só eu e a Chel andando pelas estreita ruelas. Caramba, parecia coisa de filme. Para melhorar a cidade começou a ganhar formas com as luzes…

Não nos contivemos e começamos a rir: como é que nós nunca ouvimos falar desse lugar? A cada beco que virávamos surgia algo ainda mais bonito, colorido e cheio de formas. O mais impressionante de tudo é uma minarete que não foi terminada, a Kalta Minor, toda colorida em diferentes tons de azul. Que lugar mais lindo.⁠

Uma das coisas que mais gostamos da cidade, além da sua linda arquitetura, é o fato de ter crianças brincando nas ruas. Adoramos parar e interagir com eles, aliás fazia tempo que eu não jogava tanto futebol – até a Chel entrou no jogo e se divertiu chutando a bola para uma criança de 4/5 anos. ⁠⠀

Mesmo quente, as pessoas saem a noite por Khiva

Os detalhes de Khiva ao cair da noite

Explorando, como sempre…

Bukhara e Samarkand também são destaques da rota da seda

Bukhara, no Uzbequistão, é uma das principais cidades da Rota da Seda. Bukhara já foi a segunda cidade mais importante do mundo islâmico, somente atrás de Bagdá há algumas centenas de anos. Isso explica porque a cidade possui tantas madraças gigantescas.

Esses lugares são centros de estudos do islamismo, mas não sabemos se elas ainda possuem tal finalidade ou se hoje são somente pontos turísticos. Caminhamos pelas madraças e mesquitas ficando boquiabertos com a arquitetura e os detalhes. Simplesmente incrível. Depois de Bukhara nosso destino foi Samarkand, a cidade inclusive foi a capital do império Timúrida – fique tranquilo se nunca ouviu falar sobre este império, também não sabíamos nada até chegarmos aqui apesar de toda sua importância na história da região.

Timur, o imperador responsável por boa parte das construções da cidade, não poupou esforços. Desde querer ter uma mesquita como Taj Mahal, depois de dominar a cidade de Déli na Índia, até trazer os melhores artesãos do império persa e de vários outros lugares para a construção da praça Registan e o resultado é uma arquitetura como nunca vimos.

Ainda mais impactante

Apesar de já termos visto Khiva e Bukhara e termos achado incrível, conseguimos achar Samarkand ainda mais magnífico. Visitamos a praça principal e alguns mausoléus e mesquitas, tudo com um guia, para entender melhor a história do império Timúrida.

Já no fim do dia, fomos a nosso último destino, descrentes que ainda poderia ter algo diferente de tudo que tínhamos visto… e ainda bem que estávamos enganados. Chegamos a Shah-i-Zinda, onde é possível ver um monte de mausoléus juntos, cada um com mosaicos e adornos diferentes um do outro, tudo em lindos tons de azul.

Fotos: 1 a 6 em Bukhara e 7 a 12 em Samarkand

Hora de um descanso

As temperaturas continuam altas por aqui, principalmente por volta das 15/16hrs passando facilmente dos 40 graus. Porém depois do pôr do sol, a vida tem ficado bem mais tranquila, com os termômetros por volta dos 29/30 graus a noite e seco. Por isso ficamos felizes de chegar a capital do Uzbequistão, Tashkent, e podermos ter algumas conveniências da cidade grande.

A cidade não tem nada de muito especial, comparado as outras que visitamos no país, e o destaque são as estações de metro. Depois de uma proibição que durou mais de 40 anos, a partir de 2018 as estações podem ser fotografadas. Se você já visitou as estações russas não vai se surpreender por aqui, mesmo assim, foi uma experiência interessante.

Também foi hora de descansar dos últimos dias, tomar um bom café, trabalhar, arrumar as malas, lavar roupa e nos prepararmos para a próximas jornada. Subirmos no nosso caminhão da Oasis Overland rumo ao Cazaquistão.

Quer fazer Overland também?

Essa viagem pela Ásia Central de caminhão foi feita em parceria com a Oasis Overland, uma das principais empresas de Overland no mundo. Eles possuem roteiros no mundo todo. Se você gosta de explorar o mundo, fazer amigos e ainda viver experiências diferentes, essa é uma boa escolha.

Para quem quer saber mais informações é só acessar o site da Oasis por aqui ou deixar sua dúvida abaixo!

Boas viagens…

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