Pelo interior do Marrocos | África.05

Dunas, deserto e detalhes no Marrocos

No nosso trajeto entre Marrakech e o Deserto do Saara tivemos que cruzar diversas cidades e também a famosa cordilheira do Atlas, reduto de diversos povos e estradas tortuosas.

Sabendo do que tínhamos pela frente optamos por sair cedo de Marrakech, passamos no mercado, enchemos o tanque e colocamos a cidade de Ouarzazarte no GPS. Tudo dando certo levaríamos algo como quatro, cinco horas para chegar ao nosso destino.

O mais interessante de fazer esse trajeto de dia, com abundância de luz, é que é possível apreciar os vilarejos do caminho, ver o recorte das estradas, parar para fazer fotos, tudo o que torna uma jornada legal.

Depois de dirigir tanto tempo pelas auto estradas da Europa, que sim, são ótimas, mas meio chatas, horas e horas da mesma coisa, estar nessas estradas no meio do Marrocos tem um ar mais desafiador.

No final tudo chama a atenção, tudo é diferente.

No meio do nada no Marrocos.

Para cruzar as montanhas do Atlas

Para nossa surpresa o asfalto no geral estava em ótima condições, com poucos buracos e bem demarcado. Para cruzar o Atlas você chega a quase 2500 metros de altitude em uma estrada repleta de curvas fechadas. Do alto é possível ter uma bela vista do que você acabou de dirigir com algumas cidades la no fundo. Super interessante.

Uma coisa que nos chamou a atenção foi a mudança de vegetação conforme nos aproximávamos mais e mais do deserto, com tudo ficando mais seco, árvores perdendo suas folhas, mais pedras pelo caminho. Isso é muito legal, poder ver essa mudança de forma tão clara e marcante.

Seguimos estrada sem muita pressa e ficamos felizes com o que vimos, a cada nova curva uma nova surpresa.

Marrocos até aqui sendo uma experiência incrível!

Estávamos contando os minutos para ver os belos cenários holandeses.

Dunas, deserto e detalhes

Estar no deserto do Saara nos revelou uma experiência cheia de detalhes. No momento que optamos por não fazer nenhum passeio turístico na região, passamos a focar mais nas coisas que tínhamos ao nosso redor e suas peculiaridades.

A primeira coisa que você percebe quando está próximo a qualquer deserto é a falta de vida ao redor. As árvores estão secas, uma cor meio avermelhada toma conta de tudo, há areia por todos os lados e existe uma velocidade mais contida das pessoas e das coisas.

Munidos do nosso carro, tempo e flexibilidade exploramos alguns caminhos que nos levaram até algumas dunas na beira da estrada.

Ali percebemos diversas construções que visam proteger a areia de se espalhar pela estrada e tomar conta das vilas ao redor. São estruturas de palha entrelaçadas que forma uma espécie de barreira, simples mais funcional, até porque na primeira ventania que dá a areia se locomove e toma conta de tudo que ve pela frente. Subimos essas pequenas dunas, nenhuma pegada por perto, de cima dela vimos mais e mais areia por todos os lados.

Viver ali não deve ser fácil!

Alguns momentos no Marrocos.

Alguns momentos no Marrocos.

Cruzando o Marrocos de carro

Cruzando por essas terras vimos uma placa avisando que devíamos tomar cuidado. Por ali haviam camelos cruzando a estrada, isso por si só já era uma placa curiosa. Minutos mais tarde cruzamos com alguns camelos ao longe no meio do deserto, pareciam selvagens!

Outro fato curioso foram algumas pessoas que cruzamos na estrada, elas a pé, no meio do nada e nos perguntávamos onde eles estariam indo?

Caminhariam até suas casas, quilômetros de distancia dali? Morariam eles em algum lugar que passou despercebido aos nossos olhos? Sem saber nos contivemos com suas fotos, eles no acostamento e a estrada de pista única se estendendo no horizonte.

Sem perceber direito, nos dias que ficamos nessa região desértica do Saara, pudemos aprender um pouco de como vive esses povos isolados do mundo moderno, como se vestem, se locomovem, tudo muito diferente e novo para a gente e portanto muito interessante!

Valeu Deserto, foi um prazer lhe conhecer!

Noite no Deserto do Saara

Depois de quase três dias de viagem, saindo de Marrakesh até M’Hamid, enfim chegamos no tão esperado Deserto do Saara. Ali estávamos a menos de 30km da fronteira com a Argélia, basicamente no meio do nada! Chegamos em M’Hamid com o sol caindo no horizonte, já nas proximidades da cidade já era possível ver a areia tomando conta de algumas partes da estrada, clima seco e até algumas dunas no horizonte.

Bem o que estávamos esperando! Já tínhamos o endereço de um camping e optamos por ter certeza que o lugar era razoável antes de ir tentar ver o pôr do sol em algum lugar do deserto.

O camping era honesto, dez euros por noite e basicamente com tudo que precisávamos: banheiro, internet e tranquilo. Acertamos tudo e pegamos algumas dicas de onde poderíamos ir ver o por do sol no deserto.

Seguimos por conta até nos deparar com aquela imensidão de areia e nada, porque no fundo é isso que um deserto é, com um monte de detalhes tipo dunas, montanhas mas ao mesmo tempo sem vida.

Pôr do Sol no deserto.

Pôr do Sol no deserto.

Pôr do Sol no deserto.

Dirigimos até o Deserto do Saara e agora?

Pegamos uma trilha e fomos seguindo até onde dava, não tínhamos a menor intenção de arriscar ficar atolado no final de tarde no meio do deserto do Saara. Enfim paramos o carro e resolvemos ir a pé até o topo de uma duna, de lá o sol descia harmoniosamente no horizonte, iluminando tudo ao nosso redor. Longe, ao fundo, em nossas costas uma cena interessante, um campo de futebol montado no meio do nada, no meio do deserto, umas duas dúzias de pessoas jogavam a famosa “pelada” do final do dia.

No mínimo diferente… Ficamos ali até o sol sumir totalmente e o céu tingir de laranja, Lindo!

Voltamos para o nossos camping realizados, quando imaginei na minha vida que dirigiria até o deserto do Saara?

Nunca para ser honesto, estar aqui na África representava muito mais do que estar no deserto propriamente dito, era uma alegria diferente, meio que parte do dever cumprido! Já com a noite caindo, o céu preencheu de estrelas, maravilhoso!

Abrimos nossa barraca, fizemos um couscous marroquino, pegamos o violão e celebramos nossa conquista. Mesmo a noite o tempo estava ótimo, nem frio nem quente. O silêncio também era contagiante, longe das civilizações modernas, sem carros por perto, uma paz difícil de explicar.

Ótima de se viver!

Estávamos contando os minutos para ver os belos cenários holandeses.