Chegamos ao Marrocos com nosso carro do Brasil

Um tempo atrás quando anunciamos que viríamos para o Marrocos e muitas pessoas rapidamente nos alertaram para tomar cuidado com a corrupção nesse país do norte africano.

Muitos deles foram enfáticos em quanto a policia era corrupta e que pagar propina seria algo corriqueiro. Tudo isso foi muito semelhante ao que ouvimos durante a nossa viagem pela América do sul e central. Após dezoito dias no Marrocos, onde rodamos 3.100km dirigindo por todos os tipos de estradas, desde as ótimas rodovias pedagiadas, passando pelas estradas secundaria no deserto, e até no caos de Marrakesh, ou seja, fizemos um cardápio bem variado de trajetos, fomos parados somente cinco vezes pela policia, em talvez mais de 40 blitz que passamos, algo como uma vez a cada 600km, o que dá uma média de paradas menor do que a do Equador, Peru, Colômbia, Panamá e México em nossa viagem.

A gentileza no Marrocos

Porém o que nos chamou a atenção mesmo foi a educação e gentileza com que todas as paradas foram conduzidas. Apesar do meu francês ser bastante limitado, fruto de seis meses de aula há dez anos atrás, eu conseguia explicar que estávamos viajando o mundo, que éramos brasileiros, para onde estávamos indo e acreditem, nenhum, anotem NENHUM deles chegou a nos pedir os documentos do carro ou mesmo nossos passaportes. Todos eles nos sinalizavam para parar, encostávamos, eles vinham nos saudavam, perguntavam para onde estávamos indo, se estava tudo bem e “bon voyage”. Simples como isso!

O único caso que tivemos que fugiu a regra foi um policial que nos parou voltando de Ouarzazate e argumentou que estávamos a 69km/h e acima do limite de velocidade daquele lugar, apesar de não haver nenhuma placa por perto. Sem entender toda a conversa, argumentei com ele que me desse a multa, que eu iria pagar no banco em Marrakesh, ele sem gostar muito da minha solução, disse que minha CNH Brasileira (no caso uma cópia colorida que uso no dia a dia para preservar a original e a minha carteira internacional de direção) iria ficar retida e eu só veria novamente após pagar a multa, nós que estávamos com fome e cansando de dirigir dissemos “sem problemas”.

Ele pediu para encostarmos mais adiante e aproveitamos para fazer uns sanduiches e complementar o café da manha mal feito. Cinco minutos depois, o policial vendo que nossa paciência iria ser inversamente proporcional a nossa vontade de colaborar com a propina, veio ate o carro e mandou seguir viagem! Na hora que ele apareceu na janela eu estava com um pedaço de pão com geleia na boca, ele pareceu na acreditar, rs!

Ainda na Espanha, momentos antes de entrar na balsa.

Chegada no Marrocos de carro

Quando montamos o plano da viagem lá atrás, ainda no Brasil, não sabíamos se chegaríamos ao Marrocos com a ideia de dirigir até a África do Sul, ou se voltaríamos a Europa e de lá, enviaríamos o carro para o sul da África, na verdade na rota inicial enviaríamos o carro do Marrocos, mas por diversas circunstancias, tudo acabou mudando.

O motivo dessas duvidas é devido a mutante situação que vive o oeste africano nos últimos anos, com instabilidades civis e no momento, a epidemia de Ebola em alguns países. Diante disso resolvemos visitar o Marrocos e voltar para a Europa, onde dirigiremos até a Inglaterra, onde temos amigos para nos hospedar, e então seguir para a África do Sul.

Voltando ao nosso dia a dia, dirigimos até o extremo sul da Espanha. Para a cidade de Tarifa para então pegar uma balsa e cruzar o Estreito de Gibraltar para iniciar temporariamente o terceiro continente na nossa viagem: África.

No Marrocos, aguardando a vistoria do carro.

A travessia da Espanha para o Marrocos

A travessia é rápida e tranquila. No próprio barco você faz a imigração. Já em terra seu carro passa por um gigante raio-x e então você precisa fazer os tramites da entrada do carro. Diferente do que muita gente nos falou, esse foi um processo simples e tranquilo. Sem pagamento de propina ou coisas do gênero.

Vale lembrar que a palavra “propina” em espanhol significa “gorjeta ou caixinha”. Portanto se alguém pedir propina, não leve para o lado errado da coisa! A verdade mesmo é que, usando meus seis meses de aula de francês há dez anos, eu cheguei falando que éramos do Brasil.

Viajando o mundo, o policial da aduana me olhou com uma cara, “um carro do Brasil?” – dai para frente o papo seguiu para os gramados e em menos de um minuto ele havia mencionado uma penca de jogadores brasileiros. Entre eles Bebeto, Romario e Rivaldo… Dez minutos mais tarde estávamos apertando mãos e o Viajo Logo Existo autorizado a dirigir por esse novo país.

Agora vai, não tem mais volta.

McDonald’s diferente no Marrocos

Dentro do porto mesmo optamos por trocar 200 dólares por Dihram Marroquinos e também sacar um pouco da nossa conta em um caixa eletrônico. Tudo para não correr o risco de ficar zerado no meio do nada!

Nossa primeira surpresa ao sair do porto foi perceber que nosso mapa do GPS não seria muito útil. Logo teríamos problemas em se locomover pelo país. Colocamos um McDonalds e ele achou, ótimo, vamos lá usar a internet e achar um novo mapa.

Porém diferente da maioria dos outros McDonalds, esse não tinha wi-fi. Mas um restaurante em frente sim e lá fomos nos com laptop, gps, celulares, mala e cuia e na maior cara de pau achamos uma tomada.

Pedimos um tradicional e doce chá marroquino e pelas próximas três horas ficamos ali tentando resolver a nossa vida. Acabamos baixando o mapa do GPS eTravel (www.gpsetravelguides.com) por 20 dólares e no fim das contas, foi muito bom!

Paramos o carro próximo da praia e saímos atras de um wi-fi.

A procura pelo camping

Com o GPS atualizado, tanque cheio, optamos por ir para um camping e pegar estrada na manhã seguinte. Nosso plano era ir até Tetouan e depois até Chefchaouen, famosa cidade azul. No caminho, enquanto tentávamos descobrir a entrada de um camping. Uma LR Defender 90 parou do lado da rua e gritou em inglês “Vocês querem camping?”- Jean Marie, de Luxemburgo. Estava há um mês viajando sozinho pelo Marrocos e nos ajudou a ir para um camping melhor que aquele que estávamos interessado.

O convite rendeu um bom papo. Muitas dicas, um bom chá e um novo amigo! Começamos com o pé direito nossa passagem pelo Marrocos…

Nem chegamos e já fizemos amigos pelo Marrocos.

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